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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Memórias na Paisagem



Era uma vez uma andorinha
Com asas que voava,
Voava sobre o mar
Sobre o sol
E sobre as casas....
E fugia,
E fingia,
Brincando,
Rodopiando,
Como se o sol não existisse
E a vida não lhe fugisse da mão
Ora fria,
Ora terna,
Como um pequeno raio de sol de inverno
Em pleno verão...

E a andorinha volta
E revolta
E revolta-se também;
E chora baixinho.
Com felicidade,
Quando algures
Alguém lhe diz: “fica bem”!

--


Era uma vez uma andorinha
Feita do amor e do ódio.

Do ódio que se tem de qualquer jeito
E do amor
Que ela mesma constroi dentro do peito...

Era uma vez o mar.
E uma andorinha a voar.
E outra andorinha
Pousada na margem a descansar...

E a beber

E a viver
(ou a morrer?)

E a cismar.



---


Era uma vez duas andorinhas.

Uma aquí

Outra ali

Ou em qualquer lugar.

Duas andorinhas,
Uma sem nada
Outra sem coisa nenhuma.
Ambas à procura,
Ambas inquietas à beira do mar!

Era uma vez duas andorinhas....

Do mar vem a coragem.

Da vida vem o medo p’ra seguir a viagem!



---


Era uma vez uma andorinha.

E outra,

E mais outra,

E ainda muitas mais....

E um planeta cheio de medos,
E um mar cheio de vendavais...

E viver é tão simples!
(mas complicado demais!)


---



Era uma vez uma andorinha
Em migração permanente.
Era uma andorinha no meio de toda a gente!

Uma andorinha com asas que não podem voar.

Era uma vez tudo!

Era uma vez nada!

Sempre a ir...

E a voltar....


Era uma vez...

Era uma vez...

E conta-se a história mais uma vez!

E a andorinha volta,

Ou já não volta , de vez!


----




Era uma vez uma andorinha,
E um lobo,
e um cão,
E uma vontade
Talvez até sem nenhuma razão.
E um rio sem água,
E uma maré cheia,
E uma certeza de que virás...

Ou não!

E amanhã rezas.
Como ontem e como hoje,
Pelos mesmos motivos de sempre,...

Ou não!


--


E era uma vez tu,

E eu,

E ele, mais uma vez.

Duas andorinhas,

e um cão,

E um gato a jogar xadrez

Na hora de Amar,

Porque a história se repete

Mais uma vez.



---



E era uma vez uma andorinha
E mil delas novamente
Todas a Amar
Todas a Voar
Com os pés no chão
Como toda a gente.

E uma vida,

E um ensaio,

E um calor doce numa chuva de Maio.

Porque Amar é preciso!
E Voar ainda mais!
P’ra Viver
E enfrentar todos os vendavais!



Não me vou desta vida!

nunca hei-de morrer!

Virão anos aos milhares

E andorinhas com asas

Aos pares!

E os dias,

Sempre enormes,

Um,

e outro,

e todos,
Com certeza de vencer!

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